Luiz Gonzaga Bertelli*
Um grupo de 11 estudantes brasileiros protagonizou uma prova de amor ao País durante sua festa de formatura realizada na cidade de Martha’s Vineyard, no estado norte-americano de Massachusetts. A turma quis participar da colação de grau usando lenços com a bandeira do Brasil. O ato foi considerado uma quebra de protocolo pela direção da escola, que os ameaçou com o não recebimento do diploma de high school, o equivalente ao ensino médio, e suspensão de dois dias. Ao final, tudo foi resolvido em favor dos brasileiros, que insistiram e contaram com o apoio dos colegas norte-americanos.
A notícia deve ser lembrada com especial atenção às vésperas da mais importante comemoração cívica que será celebrada em 7 de Setembro: os 188 anos da Independência. Mas, como destacamos no livro Símbolos Nacionais (editado pelo CIEE com apoio da Academia Paulista de História, da qual sou presidente), uma nação precisa mais do que um punhado de terra para se mostrar ao mundo e a seus habitantes. Precisa de símbolos que a tornem tangível, que a representem em cerimônias e que lhe permita ser reverenciada em eventos. Os símbolos dão concretude a um comportamento cívico de respeito à pátria, em qualquer lugar, mesmo distante da soberania do seu território.
A demonstração dos estudantes brasileiros mostra a força que os símbolos nacionais devem ter, enquanto ainda está fresca na memória a imagem de jogadores de futebol na Copa da África do Sul, que mascavam chiclete na esperança de convencer os mais desavisados que sabem a letra do Hino Nacional, tocado ao início de todas as partidas. O pior é que o desrespeito não se limita aos símbolos brasileiros. Na final da Copa Libertadores da América, realizada em Porto Alegre/RS, os organizadores tocaram apenas 20 segundos do hino do México e, assim mesmo, abafado pelo coro da torcida que entoava outra música, causando visível descontentamento e constrangimento ao time convidado.
Faltando quatro anos para a Copa do Mundo e seis para a Olimpíada, é importante nos prepararmos para receber povos dos quatro cantos do mundo, aproveitando a oportunidade de provar que somos também cidadãos do mundo. Afinal, será uma prova de patriotismo que, aliás, deve ser um exercício diário e não um maneirismo para tirar do armário só quando é conveniente.
*Presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola de São Paulo (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp
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