Há oito anos, o Brasil não registra um índice de desemprego tão baixo quanto o que encerrou 2010. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa média ficou em 6,7% nas seis principais regiões metropolitanas. Isso mostra o quanto o mercado de trabalho está aquecido e carente de mão de obra. Não é difícil concluir, portanto, que já há setores estratégicos em que os postos em aberto são mais numerosos do que os profissionais qualificados para ocupá-los.
Dessa maneira, inverte-se um paradigma que há décadas vinha manchando o desempenho socioeconômico do País. Mas, alerte-se, isso há motivo apenas para comemoração, pois, quanto mais baixo é o índice de desemprego, mais se aproxima o “apagão da mão de obra”, um dos mais implacáveis gargalos do desenvolvimento nacional. Gargalo este que talvez seja mais nocivo para o Brasil do que para as empresas. As organizações instaladas contam com recursos que, a curto prazo, permitirão aproveitar plenamente o aquecimento econômico. Prova disso é o balanço divulgado pelo Ministério do Trabalho sobre o ritmo da importação de profissionais nos últimos cinco anos: aproximadamente 180 mil estrangeiros vieram de todas as partes do mundo para atuar no mercado brasileiro. Só no primeiro semestre de 2010, mais de 22 mil pediram visto de trabalho e a estimativa era de que, até o final de dezembro, esse número ultrapassasse a marca histórica de 46 mil.
Para impedir que milhões de brasileiros fiquem à margem do bom momento do mercado, a utilização do estágio como uma eficiente política de atração e capacitação de talentos ganha importância redobrada, pois alimenta um círculo virtuoso a partir da base do quadro de colaboradores, fomentando o aprimoramento do capital humano brasileiro. Investir nos jovens é sempre rentável, pois, como comprova uma pesquisa do instituto TNS InterScience, o índice de efetivação de estagiários gira em torno dos 64%. Além disso, não faltam estudantes aptos a serem formados de acordo com os valores e as necessidades das organizações: só o banco de perfis do CIEE conta com 1,2 milhão de candidatos à espera de uma convocação para processos seletivos. A solução do “apagão” está na mão das empresas e na imensa força criativa da nossa juventude.
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